quinta-feira, 22 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Exposição fotográfica de Hugo Estrela
"contextos" escritos por mim
Local: Biblioteca Municipal de Cascais

Até 31 de Julho

Entrada: grátis

Horário: ‎2ªs das 14h às 18h 3ª a 6ª das 10h às 18h

sábado das 10h às 14h

Próximo do Shopping Cascais Villa e da estação dos comboios.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Agarra-me! As palavras doeram-se. Por agora o poema é o lugar onde adormeço quando não consigo escrever o sono. Agora é inútil engolir versos como se fossem beijos. Em seco. Em delírios que se curam à chapada. Em poesia que poisa em nós quando o mundo não está. Em carícias silvestres que te arranco das mãos para plantar na pele da água. Em poemas que falam quando os homens neles se calam a si próprios.

Por tão pouco.

Envolvo nos braços o abraço com que me agarras. Rastejo rios como se fossem um Tejo à beira dum sentir ausente. Enrolo-me nos dedos por onde masturbo noites como se fizesse amor na véspera do infinito.

Por tão pouco.

Parto a voz em pedaços de música como se os poemas fossem fios de água morna caindo pingando vertendo em gotas de areia. Trinco bolas de sabão de tão querer buscar-te sonhar-te dançar-te desejar-te loucuramente. Tanto. Meus Deus! Tanto.

Por tão pouco.

Existo-me de um lado para o outro. Ponho canções nestes lábios que se entrebeijam em valsa convulsiva. Bebo-lhes o tinto e o fruto. Devoro palavras até atingir a embriaguez. Com alento. Com força. Contudo. A poesia não interessa quando a solidão se entorna maior do que versos dentro da boca.

Por tão pouco.

Quantas cócegas irás sorrir de mim quando a realidade te coagir a devolver as alegrias que a ilusão te emprestou? Não sei. Invento-me como se fosse Outono. Faço folhas cair desengonçadas ao cair do dia. O ar agita-se impetuoso mas é dentro do peito que se faz mais. Mais incompletamente. Mais uma inventania de frases em direcção ao não sentido. Por tão louco sentir que é teatro.

Por agora. As palavras amaram-se. Outros lançam traços de tinta contra as paredes para escrever auto-retratos. Quando muito desenho auto-poemas e ainda não lancei nada. Mas não me queixo de barriga vazia. De poesia estou eu cheio!

Por tão pouco.

Quem me dera desinscrever-te na memória. Saltar o muro dos teus murmúrios de um momento para o outro. Pedir-me em namoro dos pés à cabeça sabendo de antemão que a resposta virá depois do esquecimento. Pedir-te que sejas névoa lume casulo nódoa de espuma que florescéu azul. Cansar-me de rascunhos sobre nós e começar a escrever sobre viver.

Por tão pouco.

Quem me dera alugar os teus olhos para com eles inventar outro espelho. Ser todo imenso. Todo verso de uma ponta à outra. Recém-nascer dum parto qualquer e escapar por ventre aspas e asteriscos. Chegar ao fim desta estrofe. Aninhar-me no colo das metáforas só para ver as palavras sorrir.

Porque na verdade. Elas sorriram-se! O poema é o lugar onde vamos acordar quando um dia conseguirmos escrever o sono.

Errata
Onde se lê agarra-me, deve ler-se h-rra-me.
Onde se lê embriaguez, deve ler-se embriagaguez.
Onde se lê alento, deve ler-se além-tu.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Desaparências
Das noites em que meço a respiração dos pulsos com o lado mais macio dos teus cansaços. Das tardes em que bebo granizo pela boca da chuva e oiço a voz entornar-se gota a gota no chão descalço dos passos andados. É só disto que sei dizer. Mesmo quando quero expoesiar-me dos meus próprios gritos e romper palavras sem mais nem menos. Ir à toa com asas de quem fica. Ir sem caminho e apanhar-me de surpresa antes de ser engolido pelo teu abraço. Descalçar girassóis pétala a pétala até se transformarem em giraluas. Descascar versos gomo a gomo como se fossem sabor de laranja. Ir a sós com beijos insaborosos mostrar que nós também sabemos sorrir. À noitinha. Quando a dor meço com o lado macio dos cansaços.
É disto que sei dizer!
Quando a mansidão se impõe como um ruído sísmico. Só assim consigo escrever. Descascado e sentimentoso. Eis porque me lambuzo com bocadinhos de fome e vou embora de ti para voltar nunca mais ou no penúltimo verso depois do amanhecer. Eis porque apanho balanço para relampagar o céu e faço rascunho antes de pôr sentimento no coração e semeio pétalas onde só existes um pouco só.
Por isso.
Apago. Risco. Volto a dançar com palavras. Arrisco de novo. Assobio cítaras. Enfio sonhos uns atrás dos outros. Desenho um mapa na palma da mão. Desafio-te a usar silêncio para ser poeta ainda que disto não saia nada que sirva para enxugar aquela voz entornada no papel. Desafio-te a pintar os lábios com a cor dos meus beijos. A colocar legendas nos gestos que me queres dizer ou transmentir. A respirar o fôlego de cada frase como se isto fosse de prosa e não um poema.
Desafio-te!
Desafio-te a encontrar de novo um novo caminho que te encontre. Caso contrário. Que farei com a poesia se de tanto te dizer adeus as mãos acabarem aqui? Que farei?! Que farei com este corpo que me resta se não regressares (pelo menos) para te dizer cara a cara que afinal não sou alérgico ao silêncio? Que farei de mim se depois da bonança não sobrar sequer vestígio de alma para te acalmar?
Agora. Pergunta-me como te chamo!
Faz de conta que és metade de ausência e farei de ti meu sono preso por um fio de insónia. Pergunta-me como te chamas. Chamar-te-ei prosa poesíssima! Chão em que me deito. Devagaroso. Entre verdades e fantasiação.
Porque é disto que sei escrever!
É isto que me desaparece da frente quando invento lagrimações só para tornar a solidão mais convincente. É isto que me aparece como se alguma vez tivesse escrito sem sinais de pontuação.
É disto que sei escrever!
Desaparências. Coisas que varrem nos poemas o que neles não deve iludir.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Poemorfose
Fechou os olhos a cadeado para o sono não fugir. Espalhou o quarto por toda casa à procura de cinco milímetros de infinito para trocar por um poema que não doa e que seja lido e engolido de uma só rajada. Trocou cigarros que nos fumam de boca em boca por frases brevemente acesas na pele áspera das pedras. Trocou esta tosse nas palavras pela pressa que se contorce por não chegar. Tocou palmas e semi-colcheias com mãos de trompete para simular o sopro barulhoso do vento. Trocou o quarto a sala a cozinha a varanda o buraco da fechadura e a casa. Por mim teria deixado tudo como está. Até mesmo a sujidez do cinzeiro. Teria trocado apenas uma ou outra morada de lugar. A começar por ti. Na morada que és onde não me demoro.

Porque ainda é utopia desenhar chuva nas paredes do estômago pintadas de refresco. Ainda é distante mordiscar no teu corpo as sílabas tónicas que bóiam à tona do poema. Namorar em ti como um hóspede que vem um pouco para sempre. Dar-te de comer ilusões fora do prazo de validade para que não te iludas com beijos que faço desembocar na tua boca. Ainda é preguiça acariciar-me com toda força das tuas mãos. Pregar soluços ao susto antes mesmo das emoções terem valor de troca por número de páginas. Antes mesmo de deixares escapar o sono por um bocejo. Antes da maré desaguar onde as ondas rebentam.

Trocarei o mar por um nada dum abraço em bocadinhos de eternidade. Trocarei um corpo ex-feliz por um músculo que sinta por mim o prazer do outro. Trocarei o motor que bate cá dentro pela ilusão que estragas quando atiras versos às pedras como se fossem retalhos à espera do caixote do lixo. E serão. Enquanto não aprender a meter conversa contigo. Enquanto tiver asas a baloiçar na ponta da língua sem que saia estrofe onde palavras possam cair vivas. Enquanto esquecer for emagrecer na memória o que ela não precisa. Enquanto ortografas poemas nas garrafas nas pétalas nas pálpebras e no peito e nos lábios e na língua e em água fria. Aliás. Água quente para não arrefecer o grito em pose de poesia.

Não há pecado em bisbilhotar-te as partes íntimas e gulosas do pensamento. Mesmo correndo o risco de aleijar-me deliciosamente nos teus dentes. Os versos serão só versões que os outros dirão. Portanto. Fala-me tu.

Quanto pesa o silêncio antes dos teus gritos se transformarem em magia? Quem tem borracha para emagrecer a memória de modo a não pesar mais em ti nem em pensamento? Onde esqueceste a casa na qual habitámos os maus hábitos um do outro quando a solidão ainda não era utensílio de uso pessoal? Como pode o coração contrair tantas variações de amor por metro quadrado? Como pode o sol soltar-se se não tiveres já um fósforo à mão?

Pergunta-me tu. Poema. Vestígio de pétala manuscrita. Desejo de esfarrapar a voz contra às claves que se soltam à gargalhada e continuam de pé. Rosnar pedaços de chuva caindo em pó. Uivar baixinho estouros de batuque que tombam acelerados como bofetadas nos tambores. Rugir sussurros chilrear danças malcriadas que se esfregam embatem rolam e rebolam no corpo. Desabotoar o mar ao meio com rimas amarrotadas. Correr como uma bala de açucar até à boca da janela. Lançar-me às palavras com gula. Largar vírgulas em cima deste texto e mandar parar o caminho com semáforos de papel.

Aquietar as asas que bato aqui. Deixar o pensamento cambalear no ar como flores respirando às escondidas os últimos pingos de Primavera. Abrir os braços. Espreguiçosos. Beliscar-te o sono o sabor o cheiro a cor e a pele. Só para ver se és mesmo sonho. Abrandar. Trocar estes cinco milímetros de felicidade por nenhum poema à beira-lágrima. Porque é tão bom. Poesia. Respirar isto. Nem que seja só por um pouco. Para sempre.

terça-feira, 30 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

BRISA DE PRAIA
disse:
Porque há voos aparentemente cegos que nos encaminham para a luz...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Afiar cigarros com os lábios.
Deixar queimar o tempo até ao filtro.
Apenas hoje.
Hoje que ainda não somos memória.
Nem totalmente poema!

quarta-feira, 10 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

360 graus de Amor
Não quero poesia nos meus poemas sobretudo aquela cuja pele é farrapo e cansaço e gume e pulso e âncora inútil ilusão. Talvez poesia seja só pretexto para arrastarmos as palavras connosco. Sim. Arrastar palavras pelo braço de uma frase e de repente apagar a frase e o braço e largar fonemas a pique de encontro ao coração metáfora. Talvez. Talvez não queira palavra nos meus poemas só por haver silêncios que nos quebram a fala. Talvez não queira poema na minha poesia só porque tenho coisas imaginadas em horas de não ter mais nada que fazer.
Poema não quer ser poesia quando te sentas à porta das palavras à espera que entre um verso e outro verso entrem pela janela frases perfumosas que não saem nem amar-te lada. Talvez o amor não queira ser diminutivo tão rapidinho tão ilusãozinho tão pouquinho até no tamanho. Talvez isto seja só a minha âncora farrapo palha falhaçada inútil amassar de pão que como em dias tão nossos como ninguém.
As árvores e as aves as sombras e o ombro que te encosto à cabeça. São protestos de te dizer em voz doce: Colmeia-me o silêncio pólen de poesia. Pedra-me sete pétalas na mão e atira-me o primeiro enxame que encontrares preso à ponta de um ramo. Dorme trezentos e sessenta graus de amor em vez de borboletar asas onde não tens queda para o voo. Alma-me a torto e a direito como uma manada de búfalos correndo desenfreada. Poema-me segredo ao ouvido num movimento leve de vai e vento. Chove-me com saliva enquanto a poeira não assenta e eu escrevo. Pesa-me tanto o sono dos teus olhos. Dá-me um grito para me calar. Dor-me. Não me doas o optimismo que dou ao mundo mesmo sabendo que o abismo cabe no intervalo entre duas vírgulas. Alegria-me com lágrimas de estimação inventa outra alegoria com barquinhos de ver passar. Luz-me clarão aceso pintado cor de areia. Rio-me com mar nos lábios para pôr as ondas no gerúndio. Caminha-me descalça com as mãos presas à vida onde sou ida e volta de uma viagem inadiável. Melodia-me com voz de vidro a partir mas antes de abateres a porta deixa dois ou três beijos para eu ir beijando monolabialmente.
És a sanzala. És o chão. És pulseira. És missanga. És brinco com versos pendurados. Brinco descaradamente sobretudo quando palavras não querem ser poesia. Brinco preguiça de poema com cara de quem acordou dum sono em que não dormiu ou brincou. Brinco. Mas nunca o mau gosto de trincarmos dias que passam sem deixar rosto no corpo. Só porque és o chão. És o caminho. Escrita. Escama. Esmola. Estudo para mim. Porém. Livra-me do livro dos teus queiciumes. Tu. És tudo. Sobretudo. Esperança.