quarta-feira, 29 de agosto de 2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

E espreitaste pelo buraco da palavra
Quiseste ler as partes mais íntimas do poema

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Rio não é corpo de água à beira do infinito
é lágrima debruçada sobre janelas de água doce

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Deambular-te de um lado para o outro 
como quem esqueceu o caminho do primeiro beijo

domingo, 22 de julho de 2012

Parar de escrever a tempo de não sujar as pedras com nódoas de palavra 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Regressa-me
Como se viesses salvar o rio abandonado no fundo dos meus gestos

segunda-feira, 2 de julho de 2012


sábado, 2 de junho de 2012


domingo, 20 de maio de 2012


Heduardecer

Cose a linha que se soltou do horizonte e caiu levemente como se fosse um corpo de água vazio, um fruto. Ora a Deus para semear cócegas na tua pele para que possas acordar todos os dias com mil sorrisos pendurados nos lábios. Ajuda-me a dar paladar às palavras e a fazer de mil bagos de arroz uma imagem para mastigares letra a letra.

Se um dia soltares a fé que se fez refém em cada sílaba do meu nome, deixa-me Heduardecer o pão que alimenta e leveda silêncios com requintes de poesia. Porque hoje, amor, fica a saber, ao entrar nesta casa onde fizemos do relento o nosso esconderijo, não encontrei a raiz, o tronco, os ramos, e a árvore plantada à sombra do que fomos.    

Compreendi pela primeira vez que o poema, ao contrário do que alguns pensam, não é fruto para comer. É fruto desta ilusão temporariamente infinita cujo corpo e alma são pedras por amadurecer.  

terça-feira, 8 de maio de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

sábado, 21 de abril de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Poemosamente


Isto não é poesia
é querer sair com os pés cheios de dança
e não ter um par de caminhos para calçar
é arriscar palavras
onde incêndios aguardam amormecidos
a hora de acordar  


Isto não é poesia
é levantar o teu sono com as minhas próprias mãos
e deixá-lo cair cuidadosamente no meu ombro


É ter uma multidão de versos
à volta da boca
e não ter sequer um beijo para declamar

Estar rodeado de nada por todos os lados
e no entanto
reconstruir os remos
e rimar a favor do vento

Isto não é poesia
é o lugar onde o teu sono acaba e a minha pele começa
quando os batuques arrefecem
e gritam contentes a ausência das mãos

O grito
por vezes é apenas isso  
silêncio
coagulação do som

Isto não é poesia
é o acto de fotografar uma pedra lançada ao ar
no exacto momento em que ainda é vertigem

Acender nuvens
para que o céu
no seu profundo e ardente vazio
se incendeie também
em gomos de chuva

Incêndios não amam
são inflamáveis

Não fales destes beijos
pendurados  nos lábios da luz
nem desta paisagem que levo para casa
debaixo do braço
não fales

Escuta
não sou dos que recorrem à escrita
por falta de senda para percorrer a realidade
escrevo com poemeiras intenções
a intenção de existir
enfrentar o mundo
com um sorriso de combate

Poemosamente
profundo

quarta-feira, 21 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Envelhecer
com infâncias à volta da memória

domingo, 26 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012